sábado, 29 de junho de 2013

Cartografia

Tabula Rogeriana, 1154 - upside-down with north oriented up [Wikimedia]
Tabula Rogeriana, 1154 - upside-down with north oriented up [Wikimedia]
A cartografia é tão antiga quanto a própria escrita... sempre foi preciso nos relacionar com o ambiente circunstante... nos encontrar, achar o caminho. Para a realização do mapa encontrei algumas imagens bem interessantes.
Baia do Espirito Santo, 1850.
Baia do Espirito Santo, 1850.
Velho mapa da Capitania do Espirito Santo.
Velho mapa da Capitania do Espirito Santo.
Capitanias brasileiras.
Capitanias brasileiras.
Quem teve oportunidade de ler o artigo anterior notou que não é muito fácil realizar um mapa, principalmente se este necessita ter uma certa precisão e correlação com o real.
As minhas maiores dificuldades na realização deste mapa foram manter um "certo nível" de exatidão com as referências reais, evidenciar aspectos topográficos e hidrográficos importantes, e finalmente manter a gama de cores reduzida. Na medida que os detalhes eram importantes a interpretação destes se se tornou uma atividade complexa e bem interativa... precisava ficar olhando áreas semelhantes para assim manter a coerência no tratamento gráfico.
Mapa completo da cidade de Vitória, ES, com resumo dos aspectos de relevo, topografia, hidrografia. 280 x 190 cm de altura. Made with Gimp and MyPaint.
Mapa completo da cidade de Vitória, ES, com resumo dos aspectos de relevo,
topografia, hidrografia. 280 x 190 cm de altura.

Os aspectos mais importantes do processo

Para evidenciar os aspectos do relevo realizei recortes topográficos no mapa de referência, que criei no Google Maps, e os inseri como camada auxiliar. Nesta camada deixei somente o que interessava, apagando todo o resto. Isto me permitiu duplicar a camada e trabalhar diretamente sobre ela interpretando os relevos com maior facilidade.

Os acidentes geográficos importantes foram evidenciados com cores mais saturadas e com um pouco mais de detalhe... Ainda não tenho certeza que este método pode ser o melhor, porque se tornou em certos casos complicado e demorado... ficaria mais fácil ter uma representação aproximada, inspirada em fotos disponíveis a partir de uma mesma orientação ou ponto de vista.

Para facilitar e guiar o padrão de cores colei no trabalho "in-progress" recortes de parte dos trechos do mapa já terminados, assim ficou fácil seguir o standard e conhecer bem a emenda entre eles, este método é muito eficiente, fácil e bastante obvio.

Uma camada que denominei "bluelines", foi usada como rascunho para traçar ou delimitar áreas continuas de mata e outros tipos  (agricultura, mangues, descampados, etc.), isto facilitou o preenchimento destas áreas com tintas planas ou quase, sem me preocupar com os detalhes em demasia. As linhas tinham a cor do matiz aproximado para o preenchimento, isto podia ser feito com a imagem quase completa e usando o zoom para a finalização das áreas. De outra forma, fazendo pedacinho por pedacinho, seria bem difícil manter a gama controlada e no final ficaríamos demasiadamente preocupados nos pequenos detalhes, que no final poderiam ser bem pouco importantes ou talvez nem serem vistos.
Detalhe do trabalho de um setor do mapa no Mypaint.
Detalhe do trabalho de um setor do mapa no Mypaint.
O esquema de cores para representar estas áreas foi inicialmente emprestado dos matizes
da vista por satélite do mapa do Google, mas em seguida abaixei bem o nível de saturação e, ao mesmo tempo reduzi notavelmente a gama de cores. Neste processo usei o Gimp, usando seleção de cor e substituindo-as por outras... quando consegui o equilíbrio ideal, com dez cores aproximadamente... usei esta imagem para criar uma paleta e seguir tratando e colorindo os outros trechos do mapa.

Surpresas sempre acontecem

No meio do trabalho eu tive uma surpresa desagradável quando minha wacom tablet parou de funcionar  numa faixa de uns 2 cm... isto me obrigou a usar uma Monoprice 10x6 (UC-Logic WA60). Para isto tive que rever a dinâmica de alguns dos pinceis que estava usando, a UC-Logic me pareceu inicialmente um pouco mais dura e notei uma certa dificuldade para controlar o traço com o zoom a 100%  mas acabei resolvendo isto incrementando o controle de Tracking no Mypaint.

Resumindo o método

Para diminuir o peso da imagem dividi o mapa em 8 setores ou faixas. Estes setores no MyPaint mediam por volta de 60 x 70 cm a 300 ppi (7000 x 8700 pixels). No Gimp cada um destes setores, quando abertos,  chegavam a ter 3 ou mais Gb e não era recomendável trabalhar diretamente na imagem completa, como também seria mais difícil resolver os detalhes... pois uma imagem maior necessitaria zoom bem maiores e o processo de subir e descer ficaria bem mais longo e chato.

Pequena amostragem dos arquivos usados no trabalho.
Pequena amostragem dos arquivos usados no trabalho.
Em síntese o método constituiu-se em uma série de camadas seguindo os elementos do mapa: topografia (coisas importantes), hidrografia (rios, lagos, mar, mangues), tráfego (estradas, ruas, rodovias), cidade (casas, prédios).

Construindo um set de pinceis para o trabalho

Para a camada do tráfego usei a série de pinceis fixos, tipo rapidograph, que criei para o MyPaint, estavam somente esboçados durante o trabalho, mas ontem finalmente os terminei... simplificando-os e inspirando-me em alguns pinceis do Ramon Miranda e do Revoy... mas com atenção na simplicidade e mantendo a curva de pressão linear standard na preferência do Mypaint. Isto deve permitir a fácil migração dos pinceis para varias maquinas e tablets diferentes.
Um conselho aos projetistas de pinceis para Gimp, Krita ou MyPaint é manter o fluxo das curvas de pressão dentro do standard e lineares... isto tem que ser feito na instancia do programa (Gimp e Mypaint) e também nas preferencias de sistema (no caso de tablets da Wacom). Isto garante a migração para outros gostos e usos sem dificuldades.
Samples dos pinceis para o Mypaint.
Samples dos pinceis para o MyPaint 1.1 Linux.
Eu estou disponibilizando estes pinceis aqui, com também uma série de pinceis tipo lápis (ainda podem ser melhorados). Faltam ainda as peninhas, mas ainda tenho que trabalhar nelas... mas não reparem nos ícones, não tenho muita paciência para este tipo de atividade... se alguém quiser ajudar a pintar melhores ícones eu agradeço ;-). Os Pinceis de 0.2 a 2.0 são tipo 'Rapidograph', fixos e pensados para a resolução de 300 ppi.
Serie dos pinceis para desenho no Mypaint.
Serie dos pinceis para desenho no Mypaint.
Os pinceis vocês podem encontrarem no Code Google do Forks: https://forks-and-drills.googlecode.com/files/forks-drawing_mypaint-brushes-v1.zip
Futuramente irei abrir um outro repositório, pois o code.google vai para de receber novos uploads a partir de janeiro do próximo ano.

Para a camada da cidade, criei vários pinceis no Gimp, para simular casas e prédios. Inicialmente tinha começado a pintar na unha... mas ficou muito complicado pelo tempo necessário... neste mapa mesmo com todos os recursos e atalhos acabei usando mais de 200 horas de trabalho.
Samples dos pinceis que criei no Gimp pra simular telhados, casas e áreas industriais do mapa.
Samples dos pinceis que criei no Gimp pra simular telhados, casas e áreas industriais do mapa.
Lembrete: o Zabadal testou este set na versão do MyPaint 1.0 para Windows e teve algumas surpresas, pois os pinceis não funcionam como deviam. Os pinceis foram projetados na versão 1.1 para o linux (ubuntu-gnome 12.04) via ppa e nos meus testes funcionam bem.

Conclusões

O MyPaint se demonstrou um programa altamente performático para trabalhos de grande dimensão... no final cheguei a trabalhar em setores com mais de 120 Mb medindo 7000 x15000 pixels e, como já escrevi, tudo funcionou perfeitamente e em modo muito rápido... como se estivéssemos trabalhando com um arquivo muito pequenos. Já o Gimp usei para recortes e preencher extensas áreas das cidades sobre a camada 'tráfego' (ruas, avenidas, rodovias, etc) com os pinceis que fiz para isto.
O Gimp não conseguiu competir em velocidade e facilidade de pintura... é claro que MyPaint não tem os recursos dele... eu achei muito a falta das ferramentas para preenchimento de cor e seria ótimo o lazy brush [http://forum.intilinux.com/mypaint-development-and-suggestions/lazy-brush/].
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