sábado, 30 de março de 2013

O pincel digital ideal e afins...

Testes com pinceis texturizados tipo round.
Testes com pinceis texturizados tipo round.
Durante os meses finais de 2012 e estes iniciais de 2013 tive oportunidade de estudar longamente muito aspectos sobre a construção e tipologia de pinceis para o Gimp. O foco inicial era entender se realmente necessitamos de tantos tipos de pinceis digitais... e partir dai a coisa foi se desdobrando até constituir uma especie de vademecum do pincel digital ideal.
Com longas threads de emails entre mim, o Mozart (2012) e o Zabadal (2012-13), se chegou a interessantes conclusões, sobre os pinceis na pintura digital. Algumas das conclusões abaixo citadas foram pesquisadas em detalhes, outras menos, mas no geral todas elas se demonstraram bastante válidas no sentido de orientar o uso e a quantidade de pinceis de devamos ter na nossa livraria.

Principais conclusões sobre pinceis digitais no Gimp e em geral

  • Os pinceis redondos (raster ou não) são ideais para trabalhar em "chiaroscuro", nos meios tons e em traços. Isto não é uma grande novidade, mas ao aplicarmos este conceito a pinceis pensados para realizar texturas isto melhorou o comportamento para um uso geral deste tipo de pinceis, tanto no "chiaroscuro", como nos meios tons e até mesmo para traços.
  • Pinceis construídos sem antialising melhoram notavelmente a definição das bordas e das manchas em geral (ou seja feitos com o instrumento 'pencil' que por natureza é sem antialising). Claramente a aplicação deste tipo de pincel é as vezes vinculada a certos tipos de presets, preferencialmente nós notamos que são ideais para serem usados com o instrumento aerógrafo (dica do Zabadal), ou com uma baixa opacidade combinada ao modo blending 'multiply', isto emula muito bem veladuras tipicas de muito técnicas (aquarela, acrílico e óleo - Américo).
  • Os pinceis dinâmicos, os .gih, devem conter um numero máximo de 3 a 5 níveis e idealmente de 1 a 2 dimensões (terei modo de falar melhor sobre este argumento).
  • A dimensão ideal dos pinceis, dependendo do tipo de uso, pode variar de 32 a 512 px. Por exemplo, um pincel que será usado para emular lápis ou meios secos para o traço pode se manter com no máximo 64 pixels (mais a seguir veja a tabelinha ilustrativa). De qualquer modo existe sempre um compromisso entre a dimensão e a qualidade do traço ou da mancha... imaginem um pincel pensado para traçar ou pintar com 256 pixels de diâmetro, quando diminuímos o seu diâmetro, as manchas ficam mais compactadas e portanto temos uma diminuição da luminosidade (fica mais contrastado), quando aumentamos o seu diâmetro, as manchas se diluem e o efeito destas é menos definido. 
  • O pincel digital ideal é aquele que pode ser usado em muitas maneiras: aumentando ou diminuindo o seu tamanho, aumentando ou diminuindo o espaçamento, para traço ou para coloração ou tonalização. Existe boas chances de construirmos pinceis e sets com tais características e isto implicaria uma notável diminuição na quantidade de pinceis na nossa livraria. Ao mesmo tempo proporcionaria um melhor domínio dos instrumentos e funções dos programas de pintura digital.
Imagem utilizando um pincel tipo lápis para criar texturas de uma aquarela.
Imagem utilizando um pincel tipo lápis para criar texturas de uma aquarela.
O conceito que um pincel digital possa ser usado em muitos modos é em linha com o que acontece no mundo real... onde um mesmo pincel pode ser manuseado para muitos usos, técnicas e efeitos. No mundo digital esta possibilidade vem ampliada notavelmente possibilitando variações e usos inusitados próprios e únicos da pintura digital. Por exemplo, ao aumentarmos e espaçarmos muito uma mancha pensada para o traço, tipicas do lápis, poderemos ter um pincel muito interessante para criar texturizações ou mesmo emular técnicas pictóricas tradicionais (vejam este post escrito no meu blog sobre a emulação da aquarela a partir de um pincel pensado para lápis).
Testes para transformar pinceis texturizados com manchas irregulares em pinceis redondo.
Testes para transformar pinceis texturizados com manchas irregulares em pinceis redondo.
Seguindo esta serie de conclusões parece que o pincel redondo deva ser a característica mais importante dos tipos de pinceis na nossa livraria. Este tem o maior range de possibilidades, desde do traço, à coloração, à tonalização, à texturização (1), etc.

(1) "I understand why in digital painting, painters work in separate steps (1. modelling, 2. texturing). Texturing makes the image shallow. It is much easier to create a "three-dimensional" image without textures and add the texture in the end. I know that a real texture did not exist for a long time in the history of traditional painting as well." L'ubomir Zabadal.

No Gimp 2.8 é possivel tranformamos um pincel redondo em pincel chato, então acho mais interessante dominarmos estes aspectos do uso do Gimp, do que ter pinceis chatos, os quais poderemos usar muito pouco nos nossos trabalhos (2).

(2) Isto claramente não é uma regra geral, imaginem que vocês usem principalmente pinceis chatos e muito pouco pinceis redondos... a estrategia da coleção dos pinceis que vocês terão vai ser um pouco diferente.
Testes de varias dinâmicas no gih e resultados das manchas.
Testes de varias dinâmicas no gih e resultados das manchas.
Quanto descrito aqui, se adotado pode mudar um pouco ou em muito os critérios das coleções atualmente utilizadas pelo usuário. Nas minhas coleções estes critérios tiveram um impacto enorme, tanto que estou revendo todo o material até o momento disponibilizado. Acredito que será um trabalho enorme de revisão, mas que no final ira gerar sets extremamente pequenos, com no máximo com 10 pinceis e com carateristas e manchas bem diferenciadas entre si (critério brilhantemente descrito pelo Zabadal). Uma critica pessoal que faço a muitos dos meus sets, é que estes contem pinceis muito parecidos entre si... isto dificulta o uso e o entendimento pelo usuário final. Muitas vezes ao realizar nossos pinceis somos capazes de perceber tênues nuances... mas o mesmo não acontece quando o mesmo pincel vem utilizado por um outro usuário.

Então o segredo é simplificar ao máximo e tentar exemplificar os usos de um mesmo pincel. Neste sentido aconselharia vocês realizarem breves testes com o vossos próprios sets tentando entender como eles respondem as três básicas funções do preset: diâmetro, espaçamento e opacidade.
Os testes, ao meu ver, mais interessantes são comparar diâmetro em função do espaçamento, diâmetro em função do espaçamento combinado com a opacidade. A combinação de valores aconselhadas para parâmetros dos testes seriam o valor original, a metade e o dobro deste.

Estes testes irão mostrar como um mesmo pincel poderia ser usado em maneira diferente e para efeitos diversos daqueles pelo qual originalmente foi pensado.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Happy Birthday, 1º ano de vida, começando a andar ...

Pinceladas da serie de pinceis Wet, que estão disponíveis no nosso code.google.
Pinceladas da serie de pinceis Wet, que estão disponíveis no nosso code.google.
Hoje o Forks and Drills faz aniversário, é seu primeiro ano de vida. Vou evitar de falar de números de visitas, países, pageviews e quanto mais... isto pra mim ainda está longe de ser importante.
Seguramente temos já um certo numero de aficionados leitores e visitadores, mas estamos longe de ser uma blog aonde os numeros estouram e fazem barulho. O caminho é longo mas estar ciente disto faz toda a diferença... como também cuidar com atenção a qualidade dos artigos e informações é para mim uma questão de honra. Acredito que somente assim o blog poderá crescer, talvez devagar mas em maneira constante e criando um numero sempre maior de seguidores.

Mesmo tendo inicialmente escrito no papel as prioridades e objetivos do blog não foi tão fácil programar a pauta dos artigos e selecionar aquilo que era prioritário ou menos. Muitas vezes as matérias refletiam argumentos ou situações do meu cotidiano ou trabalho que tinha por mãos naquele momento.
Muitos dos artigos previstos e ainda estão em draft, isto por varias razões (revisão, pesquisa, pontos de dúvida, etc), mas principalmente, hoje finalmente entendi, porque o formato do blog não é particularmente adaptado a estes artigos... ou porque são demasiadamente técnicos, ou porque são longos demais, ou porque todas as duas ultimas razões. Alguns artigos tem um tempo de maturação talmente longo... que as vezes perdem a sua validade, em parte devido a evolução do software ou mesmo porque as ideias e métodos também mudam. Isto aconteceu com um artigo que comecei a escrever sobre graphic tablets com a consultoria do Mozart Couto... mas que agora não sei se nos modos como foi escrito seja realmente valido... hoje acredito que seja mais interessante discutir as graphic tablets mais como instrumento de pintura ou desenho e evidenciar quais são as carateristicas mais importantes para cada tipo de atividade (desenho, pintura, sketching, colouring, etc.), mais do que discutir se tal marca é melhor que essa ou aquela.

Já ha alguns meses o Mozart Couto, me fez notar que alguns dos artigos eram muito indicados para outros tipos de publicação, tais como ebooks (em pdf ou epub). Neste ano é minha intenção publicar os artigos técnicos e tutoriais como ebooks, isto vai ajudar a criar uma pequena coleção de livros ou publicações do Forks e ao mesmo tempo dar ao usuário a possibilidade de ter este tipo de artigo em modo offline. Eu não tenho previsão de quando este material poderá estar disponível como ebook, mas de seguro em 2013 isto acontecerá.

Os futuros artigos do Forks terão um aspecto mais conceitual e abrangente com relação a ilustração e a pintura (digital e não) e discutirão de materiais e instrumentos que possam integrar estas atividades. Estes artigos irão discutir  estes tópicos através de exemplos ou casos, mas sem entrar nos aspectos estritamente técnicos dos software usados para a criação dos exemplos ou casos.
Os exemplos e casos serão realizados exclusivamente com software livre, mas não é minha intenção explicar como se faz uma roda girar no Gimp :-). Na Web existe excelentes materiais sobre dicas e conselhos de como usar todo tipo de software livre. Acredito que será mais interessante adotar uma postura menos "howtos" ou "tips and tricks" e mais conceitual com relação aos instrumentos e métodos que usamos normalmente para desenhar ou pintar em modalidade digital. Acredito que seja mais interessante discutir sobre um método ou um conceito, a priori, pois estes poderão serem usados em uma gama maior de instrumentos e meios, sejam eles digitais ou não.

Uma das questões que particularmente vou apreciar enfrentar são os porquês e as vantagens da pintura digital e como esta pode ser integrada a outros mídias não necessariamente digitais, para assim criar cenários onde as técnicas digitais e as clássicas possam coexistir. Este percurso em parte já iniciei a esboçar em uma longa serie de artigos com o L'ubomir Zabadal.

Para exemplificar um pouco um dos temas que entendo abordar: nestes 12 meses tive oportunidade de estudar e refletir muito sobre um dos atores principais da pintura digital, os pinceis... chegando a conclusão que eles são sim importantes, mas não na quantidade e no modo que todos normalmente somos levados a crer... esta super valorização em parte é devida ao fato que exista uma grande quantidade de pinceis e texturas disponíveis para os principais software de desenho e pintura digital... e isto provoca uma grande confusão entre iniciantes e não tão somente :-).
Nos próximos meses terei oportunidade de enfrentar estes aspectos e outros que na minha opinião irão ajudar a entender um pouco melhor as razões do nosso modo de fazer e agir com os instrumentos digitais, sejam estes livres ou não.

Outra coisa que vai acontecer a longo deste ano vai ser também a revisão completa dos pinceis do Forks, diminuindo a quantindade e melhorando a qualidade. Este processo já está em ato e teremos novidades com novas e pequenas series já durante os próximos meses.
Alguns testes com a serie de pinceis texturizados de nova concepção.
Alguns testes com a serie de pinceis texturizados de nova concepção.
Agora vamos aos agradecimentos... Neste primeiro ano o Forks tem que agradecer algumas pessoas que contribuíram de várias formas ao projeto: incentivando, ajudando, colaborando com matérias, com ideias e sugestões. Começo agradecendo ao Mozart Couto, que foi determinante no lançamento e divulgação do mesmo com muitas chamadas e links das matérias do Forks feitas no seu blog pessoal. Colaborou para muitas matérias, tivemos longos bate-papos online, emails super interessantes e principalmente testou os pinceis do Forks que estão disponíveis no code.google do Forks.

Neste ano também foi e está sendo importante a colaboração de L'ubomir Zabadal, um professor adjunto da Universidade de Nitra em Eslovaquia, que possibilitou novos percursos e muita discussão sobre modos novos de construir pinceis para o Gimp. Atualmente com o L'ubomir tenho tido uma longa discussão sobre a Pintura Digital, seus instrumentos e métodos, que espero logo seja disponível como matéria para os nossos leitores.

E principalmente é preciso agradecer a você que segue o Forks e portanto é o principal motivador. Muito obrigado de coração a vocês todos!
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