segunda-feira, 25 de junho de 2012

O Desenho na pintura digital e as técnicas mais usadas.

Eu sou um apaixonado por livros e sites aonde mestres e não mestres tentam ensinar-nos alguma coisa sobre o desenho e a técnica da Pintura.
Margaret and Ken Bridlington, 2002 ink on paper, 12 1/4x16 1/4 in.
Margaret and Ken Bridlington, 2002 ink on paper, 12 1/4x16 1/4 in.
[Fonte: http://www.hockneypictures.com]
Muitos mestres antigos e modernos usaram e usam a arte do desenho em modos diferentes, este é o assunto deste artigo... e como são estes modos, hoje em dia, usar o Desenho na Pintura Digital.
Na arte tradicional ou analógica :-) os meus  artistas preferidos são Hockney e Rembrandt.

Pen and wash lion by Rembrandt in the Louvre
Pen and wash lion by Rembrandt in the Louvre [Fonte: Wikimedia]
O Desenho como testemunho da projetualidade dos artistas atravessa bem os últimos 500 anos ou mais... praticamente desde que os instrumentos e os suportes, como o papel,  ficaram mais duraveis e mais fáceis de serem produzidos é possível admirar os desenhos de Rembrandt à distância de séculos.

Mas como o Desenho é visto pelos artistas durante o processo de criação de suas obras?
Para uns o Desenho, sejam estes artistas analógicos e/ou digitais, está a base de tudo... é ele que resolve a estrutura e a composição, que delineia as formas básicas, que organiza a perspectiva ou uma visão particular desta. Este método, neste artigo eu o intitulei de "Desenho como estrutura".

Para outros o Desenho não necessariamente está presente no inicio de uma obra, por exemplo Francis Bacon, usava muita a técnica da pintura de camada sobre camada, as vezes apagando completamente a camada anterior... e por final ele desenhava, evidenciando a estrutura através da pintura de linhas mais claras e as vezes de puro branco. Este método ou visão, neste artigo eu o chamei de "Camada sobre camada e variações".

Study after Velázquez's Portrait of Pope Innocent X, 1953
Study after Velázquez's Portrait of Pope Innocent X, 1953 [Fonte: Wikimedia]


Desenho na Wikipedia, James McMullan
Um interessante artigo sobre o desenho podemos ter no wikipedia [http://en.wikipedia.org/wiki/Drawing].

Recentemente encontrei uma serie de artigos muito interessantes no New York Times sobre as bases do desenho [Line by Line: http://opinionator.blogs.nytimes.com/category/line-by-line/] do artista americano James McMullan [http://jamesmcmullan.com/].

Pintura Digital
No mundo digital também encontramos essencialmente este dois modos de realizar os trabalhos, o "1. Desenho como estrutura" e a técnica "2. Camada sobre camada e variações". Acoleção de vídeos que coloquei aqui é focada principalmente nos softwares livres, Gimp e Mypaint principalmente, mas Huang XiaoZën do Idrawgirls usa Photoshop.

1. DESENHO COMO ESTRUTURA
Para exemplificar esta tecnica escolhi alguns videos, eles são de diferentes artistas, a grande maioria vem do mundo dos quadrinhos ou áreas afins (Concept Art).

+ Mozart Couto
Mozart Cunha do Couto, ou Mozart Couto (Juiz de Fora, Minas Gerais) começou a atuar profissionalmente em 1979, como ilustrador e autor (desenhista e argumentista/roteirista) de histórias em quadrinhos. Mozart Couto é um dos principais divulgadores no Brasil e exterior do Gimp, software de ilustração gratuito utilizado como alternativa ao Photoshop.




Continuação do ultimo vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=RlWKHITpgeQ [parte 2]
http://www.youtube.com/watch?v=cNGX_yYAYt8 [parte 3]
http://www.youtube.com/watch?v=7XrKGMO11ts [parte 4]

+ David Revoy
David Revoy é um ilustrador e concept artist que vive trabalha no sul da França (Toulouse). Ele é uma grande referência entre artistas que usam software livre para as artes gráficas. Atualmente ele tem usado muito o Krita e o Mypaint.



+ Karolina Twardosz
Karolina Twardosz, é uma estudante de Biologia, apaixonada por paleontologia e anatomia em geral. Usa em modo muito elegante e sofisticado o Gimp.




+ Mery Alison Thompson
Encontrei este belíssimo exemplo da primeira técnica realizado pela Mery Alison no Mypaint.


2. CAMADA SOBRE CAMADA E VARIAÇÕES
Para apresentar esta técnica seguem uma serie de videos de diferentes artistas, essencialmente todos são "concept artists". A ordem de apresentação dos artistas nesta sequência 

+ Adam Parker
Recentemente o Mozart Couto me apresentou Adam Parker, um artista que usa Gimp. O trabalho dele é muito belo e cheio de qualidades pictóricas.


+ Huang XiaoZën
Xia Taptara (黃曉聲 Huang XiaoZën) AKA idrawgirls, é um concept artista aposentado. O trabalho dele é muito sério e claro, mostra como este modo de pintar digitalmente é muito eficaz e pictoricamente interessante.
Interessante notar que ele começa com manchas em grandes areas, procurando individuar os planos e sujeitos... mas a um certo ponto ele delinea a formas desenho sobre elas.
O Huang usa muito bem todos os dois métodos na criação de seus concepts e imagens, veja o segundo video aonde ele começa por delinear muito bem a estrutura através de desenho bem detalhado.



 

+ ssavalot csatornája
Encontrei este artista na pesquisa entre videos do youtube, mas não consegui saber nada sobre ele ainda... ele mistura em modo muito belo os dois modos.

 

+ Andrea Bianco
Andrea Bianco é um graphic designer e concept artist, que na sua bela Sardegna, realiza um trabalho muito sério e denso com o software livre, usa muito Gimp e Mypaint.
O primeiro vídeo é um exemplo da técnica chamada PaTov pelo Andrea, que vem de Pattern Overlay. No site do Andrea Bianco, vocês podem encontrar detalhes sobre esta interessante técnica: http://blog.andreabianco.eu/?p=33
O segundo vídeo é propriamente a técnica camada sobre camada executada pelo Andrea em modo bastante dinâmico e pratico no Gimp 2.6 tradicional.




Finalizando, espero que vocês gostem destes videos e em breve estarei escrevendo alguns artigos de livros sobre o Desenho e Anatomia Humana editados nos séculos XIX e inicio do XX. Muitos deles são já disponíveis em formato PDF.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

O trabalho do ilustrador Ken Riley para Reader's Digest Condensed Books

Ken Riley, Ilustração para a Reader's Digest Condensed Books, 1958
Ken Riley para a Reader's Digest Condensed Books [fonte: Leif Peng, Today's Inspiration]
Quando era um garoto eu tinha um vizinho, o Sr. Nelson, ele era assinante da Reader's Digest... e vivia me passando os exemplares velhos e já lidos. Eu amava ler estas publicações tão populares e tão bem ilustradas.

A Reader's Digest foi criada em 1922 e uma das revistas mais populares do mundo, tinha e tem atualmente o objetivo de educar com matérias leves e informativas e assim estimular a leitura... eu lembro destes condensend books que estavam sempre presentes em muitas das edições mensais e tinha um numero especial chamado Reader's Digest Condensed Books focado principalmente em escritores americanos. A Reader's Digest, como muitos magazines americanos usava e ainda usa massivamente ilustrações e neste sentido ela foi um canteiro para muitos ilustradores, principalmente americanos.

O mais recente post de Today's Inspiration é sobre o ilustrador americano Ken Riley que ilustrou para a Reader's Digest Condensed Books. No artigo de Leif Peng, que consta de bem 4 partes, escritas por em epocas diferentes. O Riley tem um traço muito belo e algumas das suas obras representadas nos posts do Leif Peng, podemos entender o poder de sintese da cor e da linha deste ilustrador.

Referências
todaysinspiration.blogspot.com
http://en.wikipedia.org/wiki/Reader's_Digest

sábado, 9 de junho de 2012

Retículas no Gimp [Screentone, DIY Comics, part 1 ]

Este artigo é sobre as Screentones ou Retículas e está dividido em quatro partes, algumas informações gerais no inicio, a descrição de dois métodos de aplicação de retículas, uma parte dedicada à criação de retículas para pinceis e patterns, e finalmente as referências e fontes deste artigo.

Screenshot de uma imagem realizada pelo Mozart com o método 2.
Screenshot de uma imagem realizada pelo Mozart com o método 2.
O método 1, Aplicando retículas à velha maneira [Americo Gobbo]
É a primeira parte de uma serie de posts que faremos para a realização de histórias em quadrinhos por si mesmo, isto é, feitas com recursos mínimos em termos de custos e de equipamento. Este método em particular é destinado à impressão de tipo econômica, aonde os originais ou matrizes são impressões realizadas em simples impressoras a laser e ou a inkjet e com as quais são feitas fotocópias para construirmos pequenos cadernos ou publicações. A nossa ideia é propor um método ou processo no qual possamos confeccionar nossos próprios HQs, com simplicidade, economia e principalmente com elegância e bom gosto.

O método 2Aplicando retículas com o filtro "Impressão de Jornal" [Mozart Couto]
Este método é dedicado ao uso profissional quando fornecemos, à gráfica ou ao editor, o trabalho na dimensão exata que este será impresso. Mas é sempre útil fornecer o arquivo original em escala de cinzas, caso a imagem tenha que ser redimensionada.
Se pensamos de usar screentones prontos (disponíveis em muitos packs na internet), como patterns ou pinceis, temos que considera-los como explicitamente decorativos ou para efeitos especiais (linhas de velocidade, brilhos, explosões, etc.).
Quando temos uma imagem e tom continuo de cinzas, não é necessário convertir um cinza em retícula, visto que a impressão profissional PostScript já transforma automaticamente os cinzas e degrades em retículas. Portanto o uso das retículas neste particular método é pensado como uma livraria adicional de efeitos que vão se somar àqueles que iremos já obter com o PostScript.

Neste artigo simplesmente abordamos as duas técnicas de aplicação de retículas e não entraremos em particulares da diagramação (técnicas, softwares), da impressão ou da produção de hqs em 'casa', isto ficará para posts em sequencia, inclusive aonde iremos mostrar o resultado final.

É nossa intenção disponibilizar os pinceis, texturas e outras resources que irão servir para a produção de hqs com software livre principalmente (Gimp, Krita, Inkscape, Mypaint).
Veja no final deste artigo o link para o nosso set de patterns de tons de cinza, indicados para o Método 1, Aplicando retículas à velha maneira. Seguirão outros patterns, pínceis e paths que poderão serem utilizadas em conjunto com os dois métodos descritos neste artigo.

HQs e as retículas

O uso das retículas, ditos 'screentones' também, é uma técnica muito utilizada nas estórias em quadrinhos. Logo após a Segunda Guerra Mundial, o setor editorial começou utilizar esta técnica para economizar na impressão dos quadrinhos. Hoje vem muito utilizada nos mangas e não somente, muitos ilustradores e artistas usam esta técnica para criar texturas e ou efeitos muito interessantes.

O uso das retículas simula a escala de cinzas obtida com halftone e dependendo da lineatura utilizada (LPI = Lines Per Inch) a percepção do ponto é mais ou menos evidente.

Photoshop e Gimp tem o modo de transformar as áreas de cobertura de cinza em reticulados. Existem muitos tutoriais sobre o assunto e aqui não iremos refazer estes passos, acho que as referências, contidas no final do post, já podem dar este quadro sozinhas.

Aplicando retículas à velha maneira [método 1]

Exemplo da técnica a 1 bit, método 1, Retículas à velha maneira.
Exemplo com a técnica a 1 bit e as retículas do pack que está disponível no link no final do artigo.
A solução que apresentamos foi revista para o ambiente digital através da velha tradição, quando aplicávamos as retículas já prontas nas imagens à traço.

Vídeo ilustrando a técnica a 1 bit realizado pelo Mozart Couto.
Vídeo ilustrando a técnica a 1 bit realizado pelo Mozart Couto.
Para isto se utiliza diretamente imagens indexadas a 1-bit (Preto e Branco) o que reduz o peso e o trabalho fica muito mais ágil e veloz.
A imagem é criada em escala de cinzas com fundo branco e com resolução minima de 600 ppi; a seguir a transformamos em indexada (Mode), fazendo atenção para não eliminar a cores não usadas: se fizer isto, você não conseguirá trabalhar com os instrumentos de desenho ou quais outros de pintura.
A seguir criamos duas novas camadas transparentes, 'desenho' e 'reticulado'. A ordem das camadas nesta imagem indexada a 1 bit deve estar assim: 'desenho', 'reticulado' e 'fundo'.

Temos ainda que tomar alguns cuidados:
  • as tintas de foreground e background devem estar nos valores de default (Preto e Branco);
  • se estivermos usando pinceis com retículas, eles devem estar na dimensão original, não redimensiona-los. Para ter certeza, olhar a dimensão do pincel na lista do gimp e clicar no botão de reset da dimensão do pincel;
  • evitar usar retículas em quadricromia;
  • usar imagens em escala de cinza ou melhor em preto e branco (1-bit);
  • as imagens devem estar com resolução minima de 600 ppi a 1200 ppi.

As camadas da imagem: desenho, retícula e fundo.
Organização das camadas da imagem para o trabalho com a retículas.

Aplicando retículas com o filtro "Impressão de Jornal" [método 2]

Podemos usar também imagens em escala de cinzas para realizar este tipo de técnica, mas neste caso o uso das retículas é puramente decorativo, visto que neste tipo de imagem o PostScript naturalmente converte os tons de cinza, degrades em retículas.
O método proposto pelo Mozart Couto aqui é muito fácil de usar e tem uma grande produtividade.
  1. Crie um arquivo novo com 600 ppo do tipo grayscale e com fundo branco.
    Crie e posicione sobre ele uma nova camada no modo transparente. Dê a ela o nome de "reticula" 
  2. Crie uma nova camada, também transparente, sobre essa e dê a ela o nome de "traco" (note que uso essas palavras sem cedilha, acentos, etc).
    Nota: Aqui, você também pode abrir uma imagem pronta (em tons de cinza, com 600 ppi - ISSO È INDISPENSÁVEL - e fundo branco) na qual vai aplicar as screentones naquela camada "reticula". Nesse caso, você deve passar a camada "retícula" para o modo "Multiplicar". Faça isso, selecionando a paleta de camadas e mudando o modo da camada em "Opções de Ferramentas"
  3. Na camada retícula, usando a ferramenta "Seleção Livre", no modo acumulativo ou pressionando a tecla "Shift" enquanto vai selecionando áreas separadas, selecione todas as áreas que quer sombrear e aplique nelas degradês usando vários tons de cinza até o preto (sugiro, no máximo 4 ou 5 tons). Poderá também usar um tom de cinza constante, à sua escolha, ao invés de degradê.
    Nota: a ferramenta degradê deve estar no modo "Cor de Frente para transparente".Você escolhe isso, na aba "Opções de Ferramentas". 
  4. Cada área selecionada deverá ser convertida em retícula. Para isso, selecione, por exemplo, as áreas da pele da figura que quer preencher com a retícula.
  5. Vá em menu Filtros > Distorções > Impressão de Jornal.
  6. Na caixa que se abre, em "Resolução" deixe 600 ppi (pontos por polegadas) no item abaixo escolha 85,0 lpi (linhas por polegadas), em "Tamanho da célula" aparecerá o valor 7 (este valor está vinculado ao campo acima, no Windows 7). No item "Ecrã", deixe o padrão: 45° e finalmente em Antialiasing, escolha 2 e dê "OK."
Vídeo realizado por Mozart Couto com as técnicas das retículas no Gimp.
Vídeo realizado por Mozart Couto com as técnicas das retículas no Gimp
usando o filtro "Impressão de Jornal".
Aplicando esse filtro, o degradê ou os tons planos de cinza, se transformarão automaticamente em retículas.
Você pode continuar a selecionar áreas múltiplas e a preencher com tons de cinza variados e utilizar a mesma retícula de 85 lpi com o atalho "Ctrl+F", que reaplicará a retícula sempre nos mesmos parâmetros. Para obter áreas com diferentes tons de cinza é importante não trabalhar com seleção múltipla, nestes casos é interessante escolher as áreas do trabalho que terão o mesmo tom de cinza e a seguir aplicar o filtro com o atalho "Ctrl+F".

Notas importantes
  • Esse aquivo não poderá ser reduzido depois que as screentones (retículas) forem aplicadas ou então aparecerá o efeito Moire. 
  • Temos que considerar sempre qual é o tipo de impressão que iremos realizar, para cada tipo existe uma lineatura ideal [consulte os links em Referências / Importantes / números 1, 2 e 4]. 
  • O efeito moire na tela do computer não necessariamente implica em moire na impressão... existe também uma lineatura para 'screen' que evita este tipo de efeito, então atenção em usar as lineaturas corretas para cada tipo de impressão.
  • Nada impede que se use o efeito moire intencionalmente como efeitos decorativos no acabamento da imagem. É possível conseguir efeitos do tipo moire aplicando retículas de lineaturas diferentes umas sobre as outras (para mais detalhes consulte as referências).

Criando as Retículas

Video criação retículas
O vídeo que explica brevemente como podemos criar as retículas que foram usadas neste tutorial.
Vídeo sobre criação de retículas no Gimp.
Vídeo sobre criação de retículas no Gimp.
Neste tipo de técnica é bom ter poucas retículas, podemos cria-las seja como pinceis seja como texturas. Um numero ideal poderia ser termos 6 cinzas (10, 30, 50, 60, 70, 80%)  e três diferentes lineaturas (50, 85 e 100 lpi, p.e.). As lineaturas diferentes tem a função de termos padrões de cinza emulados com diferentes precisões, eles podem serem utilizados em função do tipo de trabalho e principalmente com qual lineatura ele vai ser impresso.
Quando já temos um workflow bem definido e sabemos, p.e., qual vai ser a lineatura final (em lpi normalmente) de impressão, é importante termos os padrões de retículas na mesma frequência, ou seja, se o trabalho vai ser impresso a 100 lpi ter os pinceis e ou texturas das retículas também em 100 lpi.

Mas Atenção, misturar tons de cinza continuo e ou degradês com screentones é valido sómente quando queremos efeitos adicionais àqueles já obtidos pela conversão PostScript dos cinzas planos e degradês.

Criação das retículas [Dimensão e resolução]
Ao criarmos as texturas padrões para os cinzas é melhor usarmos a 'polegada' como unidade de medida. Para evitar uma textura mal resolvida (cortada no lugar errado, criando defeitos no pattern) é ideal usarmos valores nos quais os pontos fiquem cortados exatamente ao meio. Para realizarmos esta tarefa eu encontrei empiricamente as medidas dos quadrados que servirão como padrões aos pinceis e ou patterns aqui utilizados, os valores são os seguintes:
  1. 0,52 de polegada a 600 ppi para lineatura de 50 lpi.
  2. 0,85 de polegada sempre a 600 ppi para a lineatura de 85 lpi
  3. 1,003 polegadas a 600 ppi para a lineatura de 100 lpi.
Então a imagem final  para a lineatura de 85 lpi será de 0,85 x 0,85 polegadas, em escala de cinzas e com resolução de 600 ppi.
Uma vez criada imagem podemos enche-la com o cinza de referencia e depois aplicar o filtro Newsprint, que está em Filters > Distort > Newsprint.

Para criarmos corretamente uma retícula temos que prestar atenção aos seguintes pontos:
  1. no caso estejamos criando retículas a 85 lpi, no Output LPI devemos inserir esta frequência, 85, e deixar por conta do tool o calculo da Cell size (a mudança do Cell size em modo independente altera a lineatura final);
  2. o Screen deve estar em Intensity;
  3. em Luminance a Spot Function deve estar em Round (o Angle deixe no default, que é de 45°)
  4. o Oversample normalmente é de default igual a 1 (sem antialising) e é ideal para o método que estou exemplicando. Ma no caso você tenha intenção de criar pinceis ou texturas com antialiasing para serem usadas em imagens em tons de cinzas... o ideal é 2 ou 3 (veja Pincel ou Textura?).
A seguir mudamos o Mode da imagem de 'escala de cinzas' para 'indexada' a 1-bit (Preto e Branco).

Aplicando a retícula na imagem de 8,5x8,5 polegadas com 600 spi.
Aplicação do filtro Newsprint (retícula ou impressão de jornal).
Agora podemos criar o pincel, que neste caso vai ser do tipo estático, um .gbr, ou o pattern, um .pat, com os consuetos métodos destes tipos de tools.

Pincel ou Textura?
Para aplicar as texturas podemos usar principalmente o pincel e a textura, mas existem algumas diferenças entre elas... com o pincel o registro das varias batidas pode gerar um pouco de imprecisão (isto não me incomoda de todo). Já aplicando as retículas como texturas teremos um registro perfeito, isto é claro, se o padrão da textura foi bem construído (veja o tópico "Dimensão da retícula e resolução).
É importante saber que a precisão do ponto está relacionada com a resolução da imagem, e principalmente em se tratando de imagens a 1-bit, aonde não temos o recurso do antialising, ele pode parecer um tanto inexato ou aproximado em resoluções aonde o ppi é baixo. Afim de ilustrar este comportamento eu criei duas retículas a 600 ppi, uma a 1-bit e outra em escala de cinzas.

Imagem resolução 600 spi com retícula de 85 lpi ponto redondo, cinza 30%
Retícula 1 | Retícula de 600 spi com lineatura de 85 lpi referente a cinza de 30%,
dimensão 0,85 x 0,85 polegadas (21,59 mm)
(mode indexed - 1 bit).
A retícula acima é de 600 ppi a 1-bit (Preto e Branco), se estivéssemos usando 1200 ppi o aspecto seria mais preciso e no caso de 300 ppi mais grosseiro. As retículas a 1-bit podem serem usadas em qualquer tipo de imagem (RGB, Grayscale, Indexed) mas a definição vai estar relacionada à resolução dela.
Nas imagens das retículas 1 e 2, aqui representadas, é importante entender que não estão sendo vistas na dimensão real de impressão, notem que esta textura na realidade tem 21,59 x 21,59 mm, portanto na realidade, na impressão os pontos irão aparecer bem mais compactados e darão a real sensação do cinza a 30%. A imagem a seguir é uma boa simulação disto, aonde a mesma imagem é obrigada a ocupar a usa medida final, um quadrado de lado 22 mm.

Simulação da textura impressa na sua dimensão real, cerca de 22 x 22 mm.
600 ppi, 85lpi, 30% (1 bit).
A imagem a seguir tem a mesma lineatura, mas foi realizada com Oversample de 2, ou seja os pontos tem antialising, e aqui o aspecto do ponto é mais definido quando olhamos em detalhe.
Retícula 600 spi de 85 lpi com cinza de 30% (grayscale mode)
Retícula 2 | Retícula 600 spi com lineatura de 85 lpi com cinza 30%,
dimensão 0,85 x 0,85 polegadas (21,59 mm)
(grayscale mode)
A simulação da mesma retícula na sua dimensão final de cerca de 22 x 22 mm.

Simulação da textura impressa na sua dimensão real, cerca de 22 x 22 mm.
600 ppi, 85 lpi, 30% (grayscale mode)
Notamos uma pequena diferença entre os dois tipos (1-bit e aquele em escala de cinzas) mas não ao ponto de invalidar o procedimento. Se trabalharmos com 1200 ppi estas diferenças serão imperceptiveis ao olho humano e o método ganha em qualidade e velocidade de elaboração no ambiente digital, visto que o peso de imagens à 1-bit são bem mais faceis de elaborar no computer.

Procedimento e alguns exemplos rápidos
Estes doodles rápidos foram feitas com imagens à 1-bit contendo duas camadas: 'desenho' e 'reticula'. Desenhamos na camada 'desenho' e aplicamos as retículas na camada 'retícula' através de seleções livres ou no modo que cada é melhor habituado. Por exemplo, no caso o desenho seja muito complexo é interessante gravar as seleções livres em 'paths' e nomina-las adequadamente, isto facilita no caso você tenha que refazer o trabalho e ou reposicionar diferentes tipos de retículas.
Abaixo segue alguns rabiscos com aplicadas as retículas.
Exemplo de imagem a 1 bit (branco e preto) com retículas a 85 lpi com cinzas de 10, 30 e 50%.
Imagem a 600 ppi, dimensão final de impressão 43 x 32 mm,
com retículas de 10, 30 e 50% (85 lpi).
Exemplo com reticulas de 10, 30 e 50% a 85lpi.
Imagem a 600 ppi, dimensão final de impressão 43 x 32 mm,
com retículas de 10, 30 e 50% (85 lpi).
Exemplo com reticulas de 10, 30 e 50% a 85lpi.
Simulação de impressão em tela na medida final de 43 x 32 mm,
com retículas de 10, 30 e 50% (85 lpi).

Referências e Resources

Pack de Screentones para o Método 1, "Aplicando retículas à velha maneira".
  1. [Screentone] http://en.wikipedia.org/wiki/Screentone
  2. [Halftonehttp://en.wikipedia.org/wiki/Halftone
  3. [Moire] http://en.wikipedia.org/wiki/Line_moir%C3%A9
  4. [Tabela lpi standards] http://desktoppub.about.com/od/resolution/a/lpichart.htm [Importante referência para impressão Offset]
  5. http://demonstrations.wolfram.com/MoirePatterns/
  6. http://en.wikipedia.org/wiki/Lines_per_inch
Retículas [Criando retículas]
  1. http://kelleykuechle.wordpress.com/2012/01/18/creating-digital-screentone-with-gimp-2-6-7/
  2. http://artwiki.wikidot.com/creating-screentones
Glossário
  1. [LPI - Halftone Resolution] http://desktoppub.about.com/cs/intermediate/a/measure_lpi.htm
  2. [All About DPI, LPI, PPI & More] http://t-biznetwork.com/computergraphics/all-about-dpi-lpi-ppi-more/
Tutoriais
  1. http://www.netplaces.com/cartooning/processing-final-art-for-print/processing-a-halftone-bitmap.htm
  2. http://www.netplaces.com/cartooning/drawing-101/additional-illustration-techniques.htm
  3. http://www.screenprinting-aspa.com/how-to-print-halftones-on-the-cheap/
  4. http://www.texturemate.com/content/apply-halftone-effects-gimp
  5. http://ilustramanga.wordpress.com/2012/03/13/trabalhando-com-reticulas-2/
  6. http://blog.miwasketch.com/tag/how-to-screentone-in-gimp/

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